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Direito da Saúde

Câncer Curado é Doença Preexistente no Plano de Saúde?

·3 min de leitura ·Gabriel Bergamo

A Cobertura Parcial Temporária (CPT) só se aplica à doença ou lesão que o beneficiário sabe ser portador no momento da contratação. Quem já concluiu o tratamento de um câncer e está curado, segundo o médico, não é portador da doença naquele momento, o que torna questionável a aplicação da CPT pelo histórico. Ainda assim, a declaração de saúde deve ser respondida com exatidão, conforme as perguntas feitas, e o plano não pode recusar a contratação.

A seguir, como responder à declaração, o que acontece em cada situação e como agir diante de uma negativa.

O que conta como doença preexistente?

Doença preexistente é aquela que o beneficiário, ou seu responsável, sabe ser portador na contratação. A CPT tem limite de 24 meses e restringe apenas alta complexidade, leitos de alta tecnologia e cirurgias ligados à doença, conforme o art. 11 da Lei nº 9.656/1998.

Situação na contrataçãoTratamento provável
Câncer em tratamento ou em atividadeDoença preexistente; pode haver CPT
Câncer tratado, com alta e sem doença ativaCPT discutível, por não haver doença atual
Acompanhamento de rotina após a curaConsultas e exames de controle seguem as carências comuns

Como responder à declaração de saúde?

A declaração deve ser respondida de forma exata, de acordo com o que cada pergunta pede. Se o formulário perguntar sobre doenças anteriores, o histórico deve ser informado; se perguntar sobre doenças atuais, vale o quadro presente.

Em caso de dúvida, o beneficiário pode pedir a entrevista qualificada com um médico. O tema está em declaração de saúde e doença preexistente.

E se o câncer voltar depois da contratação?

Uma recidiva diagnosticada após a contratação, em quem estava curado, tende a ser tratada como doença nova, e não preexistente. A Súmula 609 do STJ considera ilícita a recusa por doença preexistente sem exames prévios à contratação nem prova de má-fé.

O plano pode recusar a contratação?

Não. O art. 14 da Lei 9.656/1998 proíbe impedir a contratação por causa de doença. O Estatuto da Pessoa com Câncer (Lei nº 14.238/2021) também reforça os direitos de quem tem ou teve câncer. O tema está em plano não pode recusar cliente por doença preexistente.

O que fazer diante da negativa?

O primeiro passo é pedir a negativa por escrito e a cópia da declaração de saúde. Em seguida, é possível registrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP).

Os direitos de quem trata câncer pelo plano estão em câncer e plano de saúde. A negativa pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do contrato, da declaração e do relatório oncológico.

Para quem já tratou um câncer, o ponto central é a situação da doença no momento da contratação. Um relatório médico que registre a alta e a ausência de doença ativa ajuda a definir se há preexistência.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

Preciso declarar câncer que já foi tratado?

Depende das perguntas do formulário. A declaração deve ser respondida com exatidão.

O plano pode aplicar CPT por câncer curado?

A CPT se aplica a doença atual. Com alta e sem doença ativa, a aplicação é discutível.

Se o câncer voltar, o plano cobre?

A recidiva após a contratação tende a ser tratada como doença nova, com as carências comuns.

O plano pode recusar minha contratação por eu ter tido câncer?

Não. A Lei 9.656/1998 proíbe a recusa por doença.

Referências

  1. Lei nº 9.656/1998 – Lei dos Planos de Saúde (Planalto)
  2. Lei nº 14.238/2021 – Estatuto da Pessoa com Câncer (Planalto)

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Este artigo é informativo. Cada situação depende do contrato, dos documentos e do histórico — mande a sua que respondemos com uma primeira leitura.

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