Direito da Saúde
Cirurgias de Afirmação de Gênero pelo Plano: Documentos e Pedido

As cirurgias de afirmação de gênero do processo transexualizador têm cobertura pelo plano de saúde quando indicadas pelo médico assistente, segundo o STJ, que já analisou a transgenitalização, a plástica mamária com prótese e, em 2026, a feminização facial. O pedido precisa demonstrar o acompanhamento multiprofissional e o cumprimento dos critérios do Conselho Federal de Medicina, atualizados pela Resolução nº 2.427/2025.
A seguir, os procedimentos já analisados, os documentos e o passo a passo do pedido.
Quais procedimentos o STJ já analisou?
| Procedimento | Decisão |
|---|---|
| Transgenitalização | Cobertura obrigatória (REsp 2.097.812, 2023) |
| Plástica mamária com prótese | Cobertura obrigatória (REsp 2.097.812, 2023) |
| Feminização facial | Cobertura obrigatória (3ª Turma, julho de 2026) |
Os fundamentos estão em redesignação sexual pelo plano: o que diz o STJ. Segundo o Dizer o Direito, os procedimentos constam do Rol da ANS e não se enquadram nas exceções do art. 10 da Lei nº 9.656/1998.
Quais documentos são necessários?
| Documento | O que deve conter |
|---|---|
| Relatório do médico assistente | Diagnóstico, procedimento indicado e justificativa |
| Relatórios multiprofissionais | Acompanhamento psicológico e psiquiátrico, conforme as normas do CFM |
| Comprovação dos critérios do CFM | Idade e tempo de acompanhamento exigidos |
| Pedido e protocolo | Data da solicitação |
Qual é o passo a passo?
- Reunir os relatórios da equipe que acompanha o processo.
- Protocolar o pedido na operadora, com a indicação do cirurgião.
- Exigir a resposta em até 3 dias úteis, pela RN nº 623/2024, e a justificativa escrita em caso de negativa.
- Registrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP).
- Avaliar a via judicial, se a negativa persistir.
O plano pode alegar que é estético?
Pode alegar, mas o STJ afastou esse argumento, porque as cirurgias visam à afirmação de gênero e à saúde integral. Na decisão de 2023, o tribunal também reconheceu dano moral pela negativa.
A negativa pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do contrato e dos relatórios da equipe.
As cirurgias do processo transexualizador têm cobertura reconhecida pelo STJ. A documentação do acompanhamento multiprofissional é o que demonstra o cumprimento dos critérios exigidos.
Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.
Perguntas frequentes
O plano cobre mastectomia masculinizadora?
Os procedimentos mamários do processo transexualizador seguem o mesmo raciocínio das decisões do STJ, com indicação médica.
Preciso de laudo psicológico?
O acompanhamento multiprofissional faz parte dos critérios do CFM e deve ser documentado.
Qual a idade mínima?
Segue as normas do CFM vigentes, atualizadas pela Resolução nº 2.427/2025.
O plano pode negar por ser estético?
O STJ afastou esse argumento para as cirurgias do processo transexualizador.
Referências
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Este artigo é informativo. Cada situação depende do contrato, dos documentos e do histórico — mande a sua que respondemos com uma primeira leitura.
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