Até abril de 2026, a possibilidade de levar alguém para uma consulta médica ou permanecer acompanhado durante uma internação dependia, na prática, de normas específicas para determinados grupos, como gestantes, crianças e pessoas idosas, ou simplesmente da política interna de cada hospital, clínica ou operadora de plano de saúde. Com a sanção da Lei nº 15.378/2026, que instituiu o Estatuto dos Direitos do Paciente, esse cenário passou a ter uma base legal única e mais ampla, aplicável a qualquer pessoa em atendimento de saúde, seja pelo SUS, seja pela rede privada ou por planos de saúde.
O que garante o artigo 7º do Estatuto dos Direitos do Paciente
O artigo 7º da Lei nº 15.378/2026 estabelece que o paciente tem o direito de contar com um acompanhante em consultas e internações, ressalvados os casos em que o médico ou o profissional responsável entenda que essa presença pode causar prejuízo à saúde, à intimidade ou à segurança do próprio paciente ou de terceiros. A redação é relevante porque não restringe esse direito a uma faixa etária ou a uma condição específica: qualquer paciente, adulto ou não, passa a poder solicitar a presença de um acompanhante tanto em atendimentos ambulatoriais quanto durante uma internação hospitalar.
Quando a presença do acompanhante pode ser limitada
A lei não trata esse direito como absoluto. A própria redação do artigo 7º prevê uma exceção, que precisa ser interpretada com cuidado: a restrição só é legítima quando fundamentada em critério clínico, avaliado pelo profissional responsável pelo atendimento, e relacionada a risco concreto para a saúde, a intimidade ou a segurança de alguém. Isso significa que a recusa não pode partir de uma decisão puramente administrativa, de rotina do estabelecimento ou de conveniência operacional; ela precisa estar amparada em uma justificativa técnica, que pode ser exigida por escrito, como já ocorre em normas correlatas.
Um direito que antes existia apenas para alguns pacientes
Antes do Estatuto dos Direitos do Paciente, a legislação brasileira já assegurava a presença de acompanhante em situações específicas. O artigo 16 da Lei nº 10.741/2003, o Estatuto da Pessoa Idosa, garante à pessoa idosa internada ou em observação o direito a acompanhante, cabendo ao serviço de saúde viabilizar condições adequadas para essa permanência, sempre segundo o critério médico. Já a Lei nº 11.108/2005 assegura às gestantes, no âmbito do SUS, o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, o parto e o pós-parto imediato, sendo a própria gestante quem escolhe quem exercerá esse papel. O que a nova lei faz é consolidar e ampliar essa lógica: o direito ao acompanhante deixa de depender de o paciente pertencer a um grupo protegido por norma específica e passa a valer, como regra geral, para qualquer pessoa em atendimento de saúde.