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Direito da Saúde

Congelamento de Óvulos pelo Plano de Saúde: Quando Há Cobertura

·4 min de leitura ·Gabriel Bergamo

O plano de saúde, em regra, não é obrigado a custear o congelamento de óvulos, porque a Lei 9.656/1998 permite excluir a inseminação artificial e o STJ fixou que a fertilização in vitro não tem cobertura obrigatória (Tema 1.067). A exceção reconhecida pelo STJ é a paciente com câncer: no REsp 1.962.984, o tribunal decidiu que a operadora deve custear a criopreservação de óvulos até o fim da quimioterapia, para prevenir a infertilidade causada pelo tratamento.

A seguir, a diferença entre as duas situações, o que fundamenta a exceção e quais documentos reunir.

O que é congelamento de óvulos?

Congelamento de óvulos, ou criopreservação de oócitos, é a coleta e o armazenamento de óvulos em baixíssima temperatura, para uso futuro. Envolve estimulação ovariana, punção para coleta e armazenamento em laboratório.

Ele pode ter finalidade eletiva, para adiar a gestação, ou médica, para preservar a fertilidade antes de tratamentos que podem afetá-la, como a quimioterapia.

O plano cobre congelamento de óvulos?

Depende da finalidade.

SituaçãoCobertura
Congelamento eletivo, sem indicação médicaSem cobertura obrigatória
Fertilização in vitro e inseminação artificialSem cobertura obrigatória (art. 10, III, da Lei 9.656/1998 e Tema 1.067 do STJ)
Paciente com câncer antes ou durante a quimioterapiaCobertura reconhecida pelo STJ até o fim da quimioterapia

O art. 10, III, da Lei nº 9.656/1998 permite excluir a inseminação artificial do plano-referência. As decisões sobre fertilização estão em fertilização in vitro pelo plano: decisões do STJ.

Por que a paciente com câncer tem direito?

Porque, nesse caso, o congelamento não é tratamento de infertilidade, e sim prevenção de um efeito colateral do tratamento oncológico. O STJ entendeu, segundo o Dizer o Direito (2023), que a operadora que cobre a quimioterapia deve também custear a medida para evitar a sequela da infertilidade.

A Lei 9.656/1998 prevê, no art. 35-F, que a assistência inclui ações de prevenção da doença e de recuperação da saúde.

Pela decisão, a cobertura vai até o fim da quimioterapia. Depois disso, o armazenamento e uma eventual fertilização seguem a regra geral, sem cobertura obrigatória.

Quais documentos reunir?

DocumentoO que deve conter
Relatório do oncologistaDiagnóstico, tratamento indicado e risco de infertilidade
Relatório do especialista em reproduçãoIndicação da criopreservação e prazo antes do início do tratamento
Orçamento ou pedidoProcedimentos de estimulação, coleta e congelamento
Negativa por escritoMotivo da recusa

Como a coleta precisa ocorrer antes da quimioterapia, o pedido costuma ser urgente. O tema é tratado em como conseguir liminar contra plano de saúde.

O que fazer diante da negativa?

O primeiro passo é exigir a negativa por escrito e verificar se o pedido está ligado ao tratamento oncológico. Em seguida, é possível registrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP).

Uma visão complementar está em o plano cobre congelamento de óvulos?. A negativa pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do contrato e dos relatórios médicos.

No congelamento de óvulos, a finalidade define a cobertura. Quando ele previne a infertilidade causada pela quimioterapia, o STJ reconhece o dever da operadora de custeá-lo até o fim do tratamento.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

O plano cobre congelamento de óvulos para adiar a gravidez?

Não. O congelamento eletivo não tem cobertura obrigatória.

Paciente com câncer tem direito ao congelamento de óvulos?

Sim. O STJ, no REsp 1.962.984, decidiu que a operadora deve custeá-lo até o fim da quimioterapia.

O plano paga o armazenamento depois da quimioterapia?

Pela decisão do STJ, a cobertura vai até o fim da quimioterapia. Depois, segue a regra geral.

O plano cobre fertilização in vitro?

Não de forma obrigatória, conforme o Tema 1.067 do STJ.

Referências

  1. Lei nº 9.656/1998 – Lei dos Planos de Saúde (Planalto)
  2. Dizer o Direito – Plano de saúde deve custear criopreservação de óvulos de paciente com câncer (2023)

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Este artigo é informativo. Cada situação depende do contrato, dos documentos e do histórico — mande a sua que respondemos com uma primeira leitura.

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