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Direito da Saúde

Exame de HIV Falso Positivo: Direitos e Responsabilidade do Laboratório

·3 min de leitura ·Gabriel Bergamo

O laboratório que entrega um resultado falso positivo de HIV pode ser responsabilizado pelos danos causados, porque responde pela falha do serviço independentemente de culpa, conforme o art. 14 do Código de Defesa do Consumidor. Os tribunais costumam reconhecer dano moral quando o resultado é entregue sem a ressalva de necessidade de confirmação ou quando gera sofrimento e consequências ao paciente. O diagnóstico de HIV exige confirmação por mais de um teste, segundo os protocolos do Ministério da Saúde.

A seguir, como o diagnóstico deve ser feito, os direitos do paciente e como agir.

Como o diagnóstico de HIV deve ser confirmado?

Os protocolos do Ministério da Saúde exigem que um resultado reagente seja confirmado por outros testes antes do diagnóstico. Um único resultado reagente, sem confirmação, não é suficiente para concluir que a pessoa vive com HIV.

EtapaO que acontece
Teste inicialTriagem, que pode dar resultado reagente
Teste complementarExame de outra metodologia para confirmar
Nova amostraColeta adicional, conforme o fluxo
LaudoDeve informar a necessidade de confirmação quando aplicável

Quem responde pelo falso positivo?

O laboratório responde pela falha do serviço, de forma objetiva, pelo art. 14 do Código de Defesa do Consumidor. Se o exame foi feito pela rede do plano de saúde, a operadora também pode responder, conforme o entendimento do STJ sobre a rede credenciada.

SituaçãoPonto de análise
Laudo reagente sem ressalva de confirmaçãoFalha de informação
Troca de amostrasFalha na prestação do serviço
Divulgação indevida do resultadoViolação do sigilo
Tratamento iniciado com base no erroDano material e moral

O resultado de HIV é sigiloso?

Sim. A Lei nº 14.289/2022 torna obrigatória a preservação do sigilo sobre a condição de pessoa que vive com HIV em serviços de saúde, escolas, locais de trabalho e outros. A divulgação indevida pode gerar responsabilidade, inclusive quando o resultado era falso.

Quais provas reunir?

  1. Laudo do primeiro exame, com data e laboratório.
  2. Laudos dos exames que demonstraram o resultado negativo.
  3. Registros de consultas, receitas ou tratamentos iniciados.
  4. Comunicações em que o resultado foi divulgado, se houver.
  5. Comprovantes de gastos decorrentes do erro.

Qual o prazo para agir?

Cinco anos a partir do conhecimento do dano e de sua autoria, pelo art. 27 do CDC. O tema geral está em erro médico: como identificar negligência, e a responsabilidade por diagnóstico em diagnóstico errado: posso processar o plano?.

O caso pode ser analisado por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir dos laudos e das consequências do erro.

O falso positivo de HIV envolve falha de serviço e, muitas vezes, de informação. Os laudos e o registro das consequências são as provas que permitem avaliar a responsabilidade do laboratório.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

Um único exame reagente confirma HIV?

Não. Os protocolos do Ministério da Saúde exigem confirmação por outros testes.

O laboratório responde pelo falso positivo?

Sim, pela falha do serviço, independentemente de culpa, conforme o CDC.

O plano de saúde também responde?

Se o exame foi feito pela rede credenciada, a operadora pode responder junto com o laboratório.

Qual o prazo para pedir indenização?

Cinco anos a partir do conhecimento do dano, pelo CDC.

Referências

  1. Lei nº 8.078/1990 – Código de Defesa do Consumidor (Planalto)
  2. Lei nº 14.289/2022 – Sigilo sobre a condição de pessoa que vive com HIV (Planalto)

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