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Direito da Saúde

Bomba de Insulina e Insumos pelo Plano: Como Montar o Pedido

·3 min de leitura ·Gabriel Bergamo

O pedido de bomba de insulina ao plano de saúde precisa demonstrar, com documentos, que o tratamento convencional não é suficiente e que a bomba é a alternativa indicada. Desde a decisão do STJ no REsp 2.162.963, de dezembro de 2024, a bomba é tratada como dispositivo médico, e não como remédio de uso domiciliar, o que permite discutir a cobertura fora do Rol. O pedido deve incluir os insumos, que são de uso contínuo.

A seguir, o passo a passo do pedido e os erros mais comuns.

O que o pedido precisa demonstrar?

Como a bomba não está no Rol da ANS, o pedido segue os cinco critérios do STF na ADI 7.265, de 2025. Os principais pontos a demonstrar são:

PontoComo demonstrar
Indicação clínicaRelatório do endocrinologista com diagnóstico e justificativa
Falha do tratamento convencionalHistórico de esquemas de insulina e resultados
Riscos do controle atualRegistros de hipoglicemias graves ou noturnas e de internações
Evidência científicaDiretrizes e estudos que embasam a bomba para o caso
Registro na AnvisaModelo do sistema registrado

O fundamento da decisão do STJ está em bomba de insulina pelo plano de saúde.

Quais insumos incluir no pedido?

A bomba depende de materiais trocados periodicamente. Eles devem constar da prescrição, com quantidade mensal.

  1. Cateteres ou conjuntos de infusão.
  2. Reservatórios de insulina.
  3. Sensores, quando o sistema integra monitorização contínua.
  4. Pilhas ou baterias, quando aplicável.

Sem a previsão dos insumos, a operadora pode autorizar o aparelho e negar o uso contínuo.

Qual o passo a passo?

EtapaO que fazer
RelatórioPedir ao endocrinologista relatório completo e prescrição com insumos
ExamesReunir hemoglobina glicada e registros de glicemia
PedidoProtocolar na operadora e guardar o número
RespostaExigir a negativa por escrito, obrigatória pela RN 623/2024
ANSRegistrar reclamação, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP)
Via judicialAvaliar ação com pedido de liminar, se houver risco

Quais são os erros mais comuns?

  1. Relatório que só diz que a bomba é melhor, sem histórico de falha do tratamento atual.
  2. Prescrição sem insumos.
  3. Ausência de registros de hipoglicemia.
  4. Pedido sem protocolo, o que dificulta comprovar a solicitação prévia.

As regras gerais sobre remédios em casa estão em medicamento de uso domiciliar, e a Lei nº 9.656/1998 traz as exclusões permitidas.

A documentação pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do relatório e da resposta da operadora.

No pedido de bomba de insulina, o histórico do tratamento é tão importante quanto a prescrição. Incluir os insumos e os registros de hipoglicemia evita negativas parciais.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

O plano pode autorizar a bomba e negar os insumos?

Pode tentar, por isso os insumos devem constar da prescrição, com quantidades mensais.

Qual médico deve fazer o relatório?

O médico assistente, em geral o endocrinologista que acompanha o paciente.

A bomba de insulina está no Rol da ANS?

Não. A cobertura é analisada pelos critérios para tratamentos fora do Rol.

Criança com diabetes tipo 1 pode pedir a bomba?

Sim. A idade não impede o pedido, e o relatório deve descrever as necessidades do caso.

Referências

  1. Lei nº 9.656/1998 – Lei dos Planos de Saúde (Planalto)

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