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Direito da Saúde

Cirurgia de Redesignação Sexual pelo Plano de Saúde: o Que Diz o STJ

·3 min de leitura ·Gabriel Bergamo

O plano de saúde deve cobrir as cirurgias do processo transexualizador indicadas pelo médico assistente, segundo o STJ. No REsp 2.097.812, julgado em novembro de 2023, a 3ª Turma reconheceu a cobertura obrigatória da transgenitalização e da plástica mamária com prótese em mulher transexual. Em julho de 2026, a mesma Turma estendeu o entendimento às cirurgias de feminização facial. Os requisitos clínicos, inclusive de idade, seguem as normas do Conselho Federal de Medicina.

A seguir, os fundamentos das decisões, os requisitos e como fazer o pedido.

O que é o processo transexualizador?

Processo transexualizador é o conjunto de cuidados de saúde voltados à afirmação de gênero de pessoas trans, que pode incluir acompanhamento psicológico, hormonização e cirurgias. No SUS, ele foi regulamentado pela Portaria GM/MS nº 2.803/2013.

O que decidiu o STJ?

DecisãoProcedimentosData
REsp 2.097.812 (3ª Turma)Transgenitalização e plástica mamária com próteseNovembro de 2023
Processo em segredo de justiça (3ª Turma)Cirurgias de feminização facialJulho de 2026

Segundo o Dizer o Direito (2024), os fundamentos foram:

  1. Os procedimentos não são experimentais: o CFM os reconhece, e o SUS os incorporou ao processo transexualizador.
  2. Os procedimentos constam do Anexo I do Rol da ANS (RN 465/2021), sem diretriz de utilização.
  3. Não se enquadram nas exceções do art. 10 da Lei nº 9.656/1998.
  4. Não são cirurgias meramente estéticas, porque visam à afirmação de gênero e à saúde integral.

A decisão de 2026 sobre feminização facial foi noticiada pela COAD.

Quais são os requisitos clínicos?

Os requisitos, como acompanhamento multiprofissional e idade mínima, são definidos pelas normas do CFM. A Resolução CFM nº 2.427/2025 atualizou os critérios para hormonização e cirurgias de afirmação de gênero, que devem ser observados no relatório médico.

DocumentoO que deve conter
Relatório do médico assistenteDiagnóstico, procedimento indicado e cumprimento dos critérios do CFM
Relatórios da equipe multiprofissionalAcompanhamento psicológico e psiquiátrico, conforme as normas
Pedido e protocoloData da solicitação
Negativa por escritoMotivo da recusa

O plano pode alegar que a cirurgia é estética?

Pode alegar, mas o STJ afastou esse argumento nas decisões de 2023 e 2026. Para o tribunal, as cirurgias do processo transexualizador visam à saúde integral e à prevenção de adoecimento ligado à incongruência de gênero.

Na decisão de 2023, o STJ também reconheceu indenização por dano moral, porque a negativa agravou o sofrimento da paciente.

O que fazer diante da negativa?

O primeiro passo é exigir a negativa por escrito, obrigatória pela RN nº 623/2024, e verificar o fundamento alegado. Em seguida, é possível registrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP).

Negativas de cirurgia em geral estão em cirurgia negada pelo plano. A negativa pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do contrato e dos relatórios da equipe.

O STJ consolidou a cobertura das cirurgias do processo transexualizador pelo plano. Um relatório que demonstre o cumprimento dos critérios do CFM é o documento central do pedido.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

O plano cobre cirurgia de redesignação sexual?

Sim, segundo o STJ, quando indicada pelo médico assistente e cumpridos os critérios do CFM.

A mamoplastia com prótese é considerada estética?

Não no processo transexualizador, segundo o STJ (REsp 2.097.812).

O plano cobre feminização facial?

Em julho de 2026, a 3ª Turma do STJ reconheceu a cobertura obrigatória dessas cirurgias no processo transexualizador.

Qual a idade mínima para a cirurgia?

Segue as normas do CFM vigentes, atualizadas pela Resolução nº 2.427/2025.

Referências

  1. Dizer o Direito – Cobertura obrigatória de cirurgias de transgenitalização (REsp 2.097.812, 2024)
  2. COAD – Cirurgia de feminização facial é de cobertura obrigatória (2026)
  3. Lei nº 9.656/1998 – Lei dos Planos de Saúde (Planalto)

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