Direito da Saúde
Limite de Coparticipação no Plano de Saúde: o Que Vale Hoje

Hoje não há um percentual máximo de coparticipação fixado em norma da ANS: a RN nº 433/2018, que limitava a cobrança a 40%, foi suspensa pelo STF e depois revogada. Vale a regra da Resolução CONSU nº 8/1998, que proíbe coparticipação que caracterize financiamento integral do procedimento pelo usuário ou fator restritor severo ao acesso. O STJ aplica essa lógica a casos concretos, como a internação psiquiátrica e o home care.
A seguir, o que é a coparticipação, os limites reconhecidos e como questionar cobranças altas.
O que é coparticipação?
Coparticipação é o valor que o beneficiário paga, além da mensalidade, a cada uso do plano, como consulta, exame ou terapia. Pode ser um valor fixo ou um percentual do procedimento, e precisa estar prevista de forma clara no contrato.
Franquia é diferente: é o valor até o qual a operadora não tem responsabilidade de cobertura.
Existe limite de percentual para a coparticipação?
Não há percentual fixo em vigor. A RN nº 433/2018, que permitia cobrar até 40% por procedimento, foi suspensa pelo STF em 2018 e revogada pela ANS.
Por isso, a análise segue o critério da Resolução CONSU nº 8/1998:
| Regra | O que significa |
|---|---|
| Proibição de financiamento integral | O beneficiário não pode arcar com todo o custo do procedimento |
| Proibição de fator restritor severo | A cobrança não pode impedir, na prática, o uso do plano |
| Clareza contratual | Percentuais ou valores devem estar previstos no contrato |
O que o STJ decidiu sobre coparticipação?
O STJ admite a coparticipação, mas com limites em situações específicas.
| Situação | Entendimento do STJ |
|---|---|
| Internação psiquiátrica acima de 30 dias | Coparticipação válida, limitada a 50% (Tema 1.032) |
| Internação domiciliar que substitui a hospitalar | Coparticipação percentual ilegal (3ª Turma, 2022) |
| Terapias contínuas | Análise do caso, considerando se a cobrança restringe o tratamento |
A decisão sobre home care foi noticiada pelo Conjur (2022). O tema das terapias contínuas é tratado em limitação da coparticipação em planos de saúde.
Quando a coparticipação pode ser questionada?
- Quando não está prevista de forma clara no contrato.
- Quando o valor acumulado inviabiliza a continuidade do tratamento.
- Quando é cobrada em internação domiciliar que substitui a hospitalar.
- Quando o percentual supera os limites reconhecidos pelo STJ para o tipo de atendimento.
Pacientes em terapias frequentes, como as de autismo, costumam ser os mais afetados. O tema está em tratamento do autismo pelo plano de saúde.
O que fazer diante de cobranças altas?
O primeiro passo é pedir à operadora o extrato detalhado das coparticipações e conferir o contrato. Em seguida, é possível registrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), e avaliar a revisão judicial.
As regras gerais estão na Lei nº 9.656/1998. As cobranças podem ser analisadas por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do contrato e dos extratos.
Sem percentual fixo em vigor, a coparticipação é avaliada pelo seu efeito: se impede o acesso ao tratamento, pode ser questionada. O extrato das cobranças é o documento que permite demonstrar esse impacto.
Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.
Perguntas frequentes
A coparticipação é legal?
Sim, desde que prevista claramente no contrato e sem restringir severamente o acesso.
Existe teto de 40% para coparticipação?
Não em vigor. A RN 433/2018, que previa esse limite, foi suspensa pelo STF e revogada.
O plano pode cobrar coparticipação em internação?
Em internação psiquiátrica acima de 30 dias, o STJ admite até 50%. Em home care que substitui a internação, considerou ilegal.
Como sei quanto paguei de coparticipação?
Pedindo à operadora o extrato detalhado, com número de protocolo.
Referências
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Este artigo é informativo. Cada situação depende do contrato, dos documentos e do histórico — mande a sua que respondemos com uma primeira leitura.
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