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Direito da Saúde

Ginecomastia pelo Plano de Saúde: a Cirurgia é Coberta?

·3 min de leitura ·Gabriel Bergamo

Sim. A correção cirúrgica da ginecomastia consta do Rol da ANS para os planos com segmentação hospitalar e para o plano referência, sem diretriz de utilização. Isso significa que, havendo indicação do médico assistente, a cobertura é obrigatória. A discussão mais comum com a operadora é o argumento de finalidade estética, que depende do que o relatório médico demonstra.

A seguir, o que diz o Rol, como o argumento estético é analisado e como fazer o pedido.

O que é ginecomastia?

Ginecomastia é o aumento do tecido mamário em homens, que pode ocorrer em um ou nos dois lados. Pode ter causas hormonais, uso de medicamentos, doenças do fígado ou dos rins, ou ser idiopática, sem causa identificada. Pode causar dor, desconforto e impacto psicológico.

O procedimento está no Rol da ANS?

Sim. O Rol de Procedimentos da ANS (RN nº 465/2021) lista “Correção de ginecomastia” nas segmentações hospitalar com obstetrícia, hospitalar sem obstetrícia e referência, sem diretriz de utilização.

Segmentação do planoCobertura pelo Rol
Hospitalar (com ou sem obstetrícia)Sim
ReferênciaSim
Apenas ambulatorialNão, por ser procedimento hospitalar

Como não há diretriz de utilização, a cobertura depende da indicação do médico assistente e da segmentação contratada. O Rol está disponível na página da ANS.

O plano pode alegar que é estético?

Pode alegar, mas o procedimento está no Rol, e o relatório médico define a finalidade. O art. 10, II, da Lei nº 9.656/1998 permite excluir procedimentos para fins estéticos, mas a análise depende da finalidade descrita no relatório médico.

FinalidadeSituação
Dor, desconforto ou alteração persistente após tratamento clínicoIndicação terapêutica, com cobertura pelo Rol
Impacto psicológico documentadoReforça a indicação, conforme o relatório
Exclusivamente estética, sem indicação médicaPode ser excluída

Quais documentos reunir?

DocumentoO que deve conter
Relatório do médico assistenteDiagnóstico, sintomas, limitação funcional e indicação cirúrgica
ExamesUltrassonografia de mamas e exames hormonais, quando indicados
Histórico de tratamentoTratamento clínico ou suspensão de medicamentos causadores, quando aplicável
Negativa por escritoMotivo da recusa, obrigatório pela RN 623/2024

Há carência?

Sim. A carência máxima para cirurgias eletivas é de 180 dias, conforme o art. 12, V, da Lei 9.656/1998. O prazo para realização de procedimentos de alta complexidade e internações eletivas é de até 21 dias úteis, segundo a RN nº 566/2022 resumida pelo Idec.

O que fazer diante da negativa?

O primeiro passo é exigir a negativa por escrito e verificar o argumento usado. Em seguida, é possível registrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP).

Negativas de cirurgia em geral estão em cirurgia negada pelo plano, e a diferença entre estético e reparador em cirurgia plástica reparadora pelo plano. A negativa pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do contrato e do relatório médico.

A correção de ginecomastia está no Rol da ANS, e a indicação médica define a cobertura. Um relatório que descreva sintomas e impacto funcional é o que afasta o argumento estético.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

A cirurgia de ginecomastia está no Rol da ANS?

Sim, como correção de ginecomastia, nos planos hospitalares e referência, sem diretriz de utilização.

O plano pode negar alegando estética?

Pode alegar, mas a indicação médica e os sintomas descritos no relatório definem a finalidade.

Adolescente pode fazer a cirurgia pelo plano?

A indicação depende da avaliação médica, que costuma considerar a estabilidade do quadro.

A lipoaspiração associada é coberta?

Quando faz parte da técnica indicada para a correção, integra o procedimento.

Referências

  1. ANS – Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde (RN nº 465/2021)
  2. Lei nº 9.656/1998 – Lei dos Planos de Saúde (Planalto)
  3. Idec – Prazos dos planos de saúde

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