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Direito da Saúde

Plano de Saúde Pode Recusar Cliente com Doença Preexistente?

·3 min de leitura ·Gabriel Bergamo

Não. O art. 14 da Lei 9.656/1998 proíbe que alguém seja impedido de participar de plano de saúde em razão da idade, da condição de pessoa com deficiência ou de doença. Para doença preexistente, o que a operadora pode fazer é oferecer a Cobertura Parcial Temporária (CPT), de até 24 meses, ou o agravo, que é um acréscimo na mensalidade. A recusa da contratação pode ser reclamada na ANS.

A seguir, o que a operadora pode e não pode fazer e como agir diante de uma recusa.

O que diz a lei sobre a recusa de contratação?

O art. 14 da Lei nº 9.656/1998 estabelece que, em razão da idade do consumidor, da condição de pessoa com deficiência ou de doença, ninguém pode ser impedido de participar de planos de saúde.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência reforça a regra ao proibir cobrança de valores diferenciados em razão da deficiência.

O que a operadora pode fazer diante de doença preexistente?

PodeNão pode
Exigir declaração de saúdeRecusar a contratação por causa da doença
Aplicar CPT de até 24 mesesAplicar CPT a doenças não declaradas que o beneficiário desconhecia
Oferecer agravo na mensalidadeExcluir definitivamente a cobertura da doença
Fazer entrevista qualificadaCobrar valor diferenciado por deficiência

CPT é a suspensão, por até 24 meses, de procedimentos de alta complexidade, leitos de alta tecnologia e cirurgias ligados à doença declarada. Os detalhes estão em doença preexistente e CPT.

E nos planos coletivos?

Nos planos coletivos empresariais com 30 ou mais beneficiários, não pode ser aplicada CPT nem agravo a quem ingressar em até 30 dias da contratação ou do vínculo com a empresa. Nos demais coletivos, as regras de CPT podem ser aplicadas.

A recusa de ingresso por doença também é vedada nos coletivos, porque o art. 14 vale para todos os tipos de plano.

Situações frequentes de recusa

  1. Recusa de contratação para criança com diagnóstico de autismo.
  2. Exigência de exames que excluem pessoas com doenças crônicas.
  3. Oferta de plano apenas para os demais membros da família.
  4. Demora indefinida na análise da proposta de pessoa idosa ou com doença.

O caso do autismo está em recusa de contratação para pessoa com autismo, e o de quem já tratou câncer em câncer curado é doença preexistente?.

O que fazer diante da recusa?

O primeiro passo é pedir a recusa por escrito, com o motivo, e guardar a proposta. Pela RN nº 623/2024, toda negativa deve ser justificada por escrito.

Em seguida, é possível registrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), e no Procon. A recusa pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir da proposta e das comunicações da operadora.

A lei não permite recusar o cliente por doença, mas admite instrumentos específicos, como a CPT e o agravo. Conhecer essa diferença é o que permite identificar uma recusa irregular.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

O plano pode recusar idoso?

Não. O art. 14 da Lei 9.656/1998 proíbe impedir a contratação em razão da idade.

O plano pode cobrar mais de quem tem doença preexistente?

Pode oferecer o agravo, um acréscimo na mensalidade em troca da cobertura integral, como alternativa à CPT.

Preciso declarar doença que não sei que tenho?

Não. A declaração de saúde se refere às doenças que o beneficiário conhece.

A operadora pode demorar para aceitar minha proposta?

A demora indefinida pode equivaler à recusa. Vale pedir resposta formal, com protocolo.

Referências

  1. Lei nº 9.656/1998 – Lei dos Planos de Saúde (Planalto)
  2. Lei nº 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência (Planalto)

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