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Direito da Saúde

Rescisão do Plano de Saúde Empresarial: Portabilidade de Carências em 60 Dias

·4 min de leitura ·Gabriel Bergamo

Quando o contrato do plano de saúde empresarial é rescindido, pela operadora ou pela empresa, o beneficiário pode fazer a portabilidade de carências para outro plano em até 60 dias, sem cumprir prazo mínimo de permanência e sem a exigência de faixa de preço compatível. A regra está no art. 8º da RN nº 438/2018 da ANS. A operadora deve informar esse direito e o prazo ao beneficiário.

A seguir, como funciona essa portabilidade especial, quais são os requisitos e o que fazer na prática.

O que acontece quando o plano empresarial é rescindido?

Com a rescisão do contrato coletivo, os beneficiários deixam de ter cobertura daquele plano. Para não ficarem sem assistência nem recomeçarem as carências, eles podem usar a portabilidade por extinção do vínculo, prevista na RN nº 438/2018.

Portabilidade de carências é a troca de plano aproveitando as carências já cumpridas no plano anterior. Carência é o período, contado da contratação, em que o beneficiário ainda não pode usar determinadas coberturas.

Quais são as regras da portabilidade após a rescisão?

A portabilidade por rescisão do contrato coletivo dispensa três requisitos da portabilidade comum: vínculo ativo com o plano de origem, prazo mínimo de permanência e compatibilidade de faixa de preço, segundo o art. 8º da RN nº 438/2018.

PontoPortabilidade comumPortabilidade por rescisão do coletivo
Prazo de permanência2 anos (3 com cobertura parcial temporária) na primeira; 1 ano nas seguintesDispensado
Faixa de preçoIgual ou inferior à do plano de origemDispensada
Prazo para pedirQualquer momento, cumpridos os requisitos60 dias da ciência da rescisão
ComunicaçãoNão se aplicaA operadora deve informar o direito e o prazo

Quem tiver menos de 300 dias no plano de origem cumpre as carências do novo plano, descontado o tempo já cumprido.

O que o STJ diz sobre a portabilidade na rescisão?

O STJ reconhece o direito à portabilidade de carências em caso de rescisão unilateral do plano coletivo pela operadora. No REsp 1.924.526, a 3ª Turma determinou que a operadora notificasse novamente a beneficiária sobre a rescisão e o direito à portabilidade, conforme o Jornal da Ordem da OAB/RS (2021).

Quem está em tratamento no momento da rescisão tem ainda a proteção do Tema 1.082 do STJ, explicada no artigo sobre cancelamento do plano durante o tratamento.

Como fazer a portabilidade após a rescisão?

O pedido é feito à nova operadora, dentro dos 60 dias, com os documentos que comprovam o plano anterior.

EtapaO que fazer
Comunicação da rescisãoGuardar a notificação recebida e anotar a data
Escolha do planoConsultar opções no Guia ANS de Planos de Saúde
DocumentosComprovante de vínculo e de pagamento do plano anterior
PedidoSolicitar a portabilidade à nova operadora dentro de 60 dias
ProblemasRegistrar reclamação na ANS se a portabilidade for negada

As regras gerais estão em portabilidade de plano de saúde: como fazer. Quando o problema é o cancelamento em si, o texto sobre rescisão unilateral do plano de saúde detalha os requisitos.

A rescisão do plano empresarial e a portabilidade podem ser analisadas por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde, a partir do contrato e da notificação recebida.

O prazo de 60 dias é o ponto central da portabilidade após a rescisão. Respeitado esse prazo, o beneficiário muda de plano sem recomeçar as carências.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

Qual o prazo para a portabilidade depois da rescisão?

60 dias contados da ciência da rescisão, segundo o art. 8º da RN 438/2018.

Preciso ter 2 anos no plano para fazer a portabilidade?

Não, na portabilidade por rescisão do coletivo o prazo de permanência é dispensado.

Posso escolher um plano mais caro?

Sim. Nesse caso, a exigência de faixa de preço compatível também é dispensada.

E se a operadora não me avisou da rescisão?

A operadora deve comunicar o direito e o prazo. O STJ já determinou nova notificação em caso de falha.

Dependentes também podem fazer a portabilidade?

Sim. A regra também vale para dependentes, inclusive em caso de morte do titular.

Referências

  1. ANS – Resolução Normativa nº 438/2018 (Legisweb)
  2. OAB/RS Jornal da Ordem – Operadora sem plano individual e portabilidade, REsp 1.924.526 (2021)

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Este artigo é informativo. Cada situação depende do contrato, dos documentos e do histórico — mande a sua que respondemos com uma primeira leitura.

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