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Direito da Saúde

Negativa de Cirurgia Bariátrica ou Plástica Reparadora pelo Plano de Saúde: o Que Diz a Lei

·5 min de leitura ·Gabriel Bergamo

O plano de saúde deve cobrir a cirurgia bariátrica quando o paciente cumpre os critérios da Diretriz de Utilização (DUT) da ANS, e deve cobrir a cirurgia plástica reparadora ou funcional indicada depois da bariátrica. Essa segunda obrigação foi fixada pelo STJ no Tema 1.069, em recurso repetitivo. A recusa baseada apenas na alegação de que a cirurgia é estética não se sustenta quando há indicação médica de caráter reparador.

A seguir, os critérios de cada cirurgia, o papel da junta médica e o que fazer diante da negativa.

O plano de saúde é obrigado a cobrir a cirurgia bariátrica?

Sim, quando o paciente se enquadra nos critérios da DUT da gastroplastia no Rol da ANS. Rol da ANS é a lista de procedimentos de cobertura obrigatória, e DUT é o conjunto de condições clínicas que define quando um item do Rol deve ser coberto.

Segundo o Parecer Técnico nº 12/2021 da ANS, a cobertura considera idade, índice de massa corporal (IMC), doenças associadas e tempo de tratamento clínico sem sucesso.

SituaçãoCritério da DUT
IMC de 35 a 39,9 kg/m²Doença associada (como diabetes, apneia do sono, hipertensão) e falha no tratamento clínico por pelo menos 2 anos
IMC de 40 a 49,9 kg/m²Falha no tratamento clínico por pelo menos 2 anos
IMC a partir de 50 kg/m²Cobertura sem exigência de doença associada
IdadeAcima de 18 anos; entre 16 e 18, em condições clínicas específicas previstas na DUT

A DUT também lista situações em que a cobertura não é obrigatória, como transtorno psiquiátrico descompensado ou doença cardiopulmonar grave que torne o risco desproporcional.

O plano deve cobrir a plástica reparadora depois da bariátrica?

Sim. No Tema 1.069, o STJ fixou que a cirurgia plástica de caráter reparador ou funcional indicada pelo médico assistente a paciente pós-bariátrico é de cobertura obrigatória, por fazer parte do tratamento da obesidade mórbida, conforme reproduz o Legismap.

Cirurgia reparadora é a que corrige alterações funcionais ou que causam problemas de saúde, como dermatites e infecções nas dobras de pele. A cirurgia estética, por outro lado, tem finalidade apenas de aparência.

Exemplos frequentes de reparadoras pós-bariátricas são a abdominoplastia, a dermolipectomia e a mamoplastia, sempre a depender da indicação médica para o caso.

O plano pode usar junta médica para avaliar a cirurgia?

Pode, mas com limites. O mesmo Tema 1.069 permite que a operadora instaure junta médica quando houver dúvida justificada sobre o caráter estético da cirurgia, desde que pague os honorários dos profissionais.

Junta médica é a avaliação feita por profissionais para resolver uma divergência técnica entre o médico assistente e a operadora. Mesmo com parecer desfavorável, o paciente mantém o direito de discutir a questão na Justiça, e o juiz não fica vinculado ao resultado da junta.

O tema é aprofundado no artigo sobre cirurgia plástica reparadora pelo plano de saúde.

Quais documentos ajudam no pedido?

O relatório médico é o documento central nos dois tipos de cirurgia. Ele deve demonstrar o enquadramento na DUT, no caso da bariátrica, ou o caráter reparador, no caso da plástica.

DocumentoPara que serve
Relatório do médico assistenteDiagnóstico, IMC, doenças associadas, histórico de tratamento e indicação cirúrgica
Comprovação do tratamento clínicoDemonstrar os 2 anos de tratamento sem sucesso exigidos pela DUT
Fotos e laudos (reparadora)Registrar excesso de pele, dermatites, infecções ou limitações funcionais
Pedido e protocoloComprovar que a operadora foi acionada
Negativa por escritoRegistrar o motivo da recusa

O que fazer diante da negativa?

O primeiro passo é exigir a negativa por escrito e conferir se o motivo alegado corresponde aos critérios da DUT ou à tese do Tema 1.069. Para cirurgias eletivas, a RN nº 566/2022 da ANS fixa prazo máximo de 21 dias úteis, segundo o Idec.

EtapaO que fazer
NegativaSolicitar a justificativa por escrito
Junta médicaSe instaurada, acompanhar o procedimento e guardar o parecer
ReclamaçãoRegistrar reclamação na ANS, que abre a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP)
Via judicialAvaliar ação com pedido de tutela de urgência, com o relatório médico

O guia sobre cirurgia bariátrica pelo plano de saúde detalha a carência e as etapas da bariátrica. Negativas de cirurgia em geral são tratadas em cirurgia negada pelo plano de saúde.

Cada recusa depende do contrato e do quadro clínico, e pode ser analisada por um advogado especializado em Direito Médico e da Saúde.

A bariátrica tem critérios objetivos na DUT da ANS, e a reparadora pós-bariátrica tem tese vinculante do STJ. Em ambos os casos, o relatório médico que demonstra o enquadramento é o que sustenta o pedido.

Gabriel Bergamo Advogado atuante em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado na área. OAB/PR 122.307 · OAB/RJ 231.435 · OAB/SP 541.730.

Perguntas frequentes

O plano pode negar a plástica pós-bariátrica dizendo que é estética?

Não quando há indicação médica de caráter reparador ou funcional. Havendo dúvida justificada, a operadora pode instaurar junta médica, pagando os honorários.

Qual IMC dá direito à bariátrica pelo plano?

A partir de 35 kg/m² com doença associada, ou de 40 kg/m², com 2 anos de tratamento clínico sem sucesso, ou a partir de 50 kg/m², conforme a DUT.

A mamoplastia pós-bariátrica tem cobertura?

Pode ter, quando indicada pelo médico com caráter reparador. A análise segue a tese do Tema 1.069 do STJ.

O parecer da junta médica é definitivo?

Não. O paciente pode questionar na Justiça, e o juiz não fica vinculado ao parecer da junta.

Qual o prazo para o plano autorizar a cirurgia?

Até 21 dias úteis para internação eletiva, segundo a RN 566/2022 da ANS, após cumprida a carência.

Referências

  1. ANS – Parecer Técnico nº 12/2021: gastroplastia (cirurgia bariátrica)
  2. Legismap – Tema 1.069 do STJ: plástica reparadora pós-bariátrica
  3. Idec – Prazos dos planos de saúde

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